GUATEMALA
Um universo de paisagens e cores

Conhecido como o país dos bosques, é um dos lugares mais atraentes da América Central. Mais de vinte e três línguas coexistem com o castelhano e o garífuna, num caleidoscópio de gentes e cores que se reflecte não somente no solo mas também nos inimitáveis tecidos dos maias.

Por Geles Ribelles


ANTIGUA - A cidade das rosas perpétuas

Rodeada de três majestosos vulcões, o de Fuego, o de Agua e o de Acatenango, e somente a quarenta quilómetros da capital, Antigua exibe o seu passado colonial como se o tempo tivesse parado no ano 1543, quando foi fundada pelos espanhóis com o nome de Santiago de Los Caballeros del Reino de Guatemala. Esta cidade foi, para além da capital da Guatemala, também a capital colonial espanhola da América Central.
Segundo conta a lenda, a viúva do conquistador Pedro Alvarado, Dª. Beatriz de la Cueva, foi nomeada governadora da vila, ao falecer o seu marido em terras mexicanas. Foi tal a sua raiva ao ser conhecedora da triste notícia que mandou pintar de preto todo o palácio real, como sinal de luto e blasfemou contra Deus. As pessoas consideraram estes actos um mau pressagio já que passados alguns dias, uma avalanche do vulcão Agua inundou toda a cidade, incluindo o palácio, provocando a sua morte e a das suas doze donzelas, o que levou as pessoas a pensarem que tudo era por um castigo de Deus.

ATITLÁN - O lugar das águas

É, sem dúvida, uma das paragens mais belas de Guatemala, donde se penetra nos reinos e segredos dos maias Cakchiqueles, a etnia dominante, e dos Zutuhiles, que convivem no Altiplano. Dezoito comunidades indígenas rodeiam esta preciosa cratera, transformada em lago, cuja capital é Santiago de Atitlán. A maioria dos nomes de cidades e lugares provém do nahualt, a língua dos Tlxacoltecas, os índios que chegaram com Pedro de Alvarado do México quando colonizou a Guatemala. A igreja católica considerou conveniente respeitar os nomes originais em simultâneo com os seus, para ganhar fiéis. Assim, junto ao Atitlán encontramos Santa Catarina e San António de Palopó, assim chamado porque po é o nome da árvore donde se extrai o incenso, ou como Atitlán, já que tlan significa água. Para se deslocar o melhor é ir em barca e desfrutar da magnífica paisagem, penetrando nas pequenas povoações para apreciar a vida e a criatividade dos maias no seu riquíssimo e ancestral domínio da arte de tecer.

As boas tecedeiras
No mundo maia gira tudo à volta das cores e tecidos já que cada comunidade tem o seu próprio estampado que os torna reconhecíveis em qualquer lugar que se encontrem. Em Santa Catarina e em San António podem ser visitados os teares artesanais onde os rapazes, no do pé, e as raparigas, no da cintura, aprendem desde pequenos. Na sociedade maia é muito importante que uma mulher seja boa tecedeira para se poder casar. As cores são outro dos pilares fundamentais da cultura maia e representam os quatro pontos cardiais. Até os cemitérios são coloridos. O azul e o verde são característicos de San António e Santa Catarina de Palopó. O verde representa o norte, a natureza, a fonte da vida e o jade imperial. O azul simboliza o sul, o lago, o céu e o firmamento. O branco, o oeste e a pureza, e o amarelo, o este, a paz e a harmonia. O vermelho representa o milho já que segundo o Popol Vuh, o livro sagrado dos maias, os homens são feitos de milho.


CHICHICASTENANGO

É famosa pelo seu mercado e embora muito antiga quem lhe deu projecção foi o americano Francisco Clark que trabalhava na concessão americana para a exploração da banana. Um indígena falou-lhe da existência deste fascinante mercado, e teve a ideia de aproveitar os barcos que vinham vazios da América para carregar a banana, para trazer neles pessoas, no princípio do século passado. Nos anos cinquenta e sessenta já começa a ser muito conhecida. Muitos hyppies sentem-se atraídos por Chichicastenango, até ao ponto de usarem as roupas tradicionais maias e instalarem-se em Panajachel, um lugar idílico naquela altura, junto ao lago Atitlán.

IXIMCHÉ, QUIRIGUÁ E TIKAL - As misteriosas cidades arqueológicas

Guatemala também se pode orgulhar de ter cidades arqueológicas como Iximché, Quiriguá e Tikal.
Iximché, a meio caminho entre Chichicastenango e La Antigua, foi a capital do reino Cakchiquel que foi tomado por Pedro de Alvarado na conquista de Guatemala. Nas encostas do monte Ratzamut, a 2.140 metros de altitude, entre bosques de pinheiros, avistam-se os restos dos templos e de um “juego de pelota” que eram parte do centro cerimonial desta cidade.
Quiriguá, a sudoeste do país, possui o monólito E, o maior do mundo maia que representa Cauac Ciela.
Mais a norte, no departamento de Petén, encontra-se a cidade das vozes ou Tikal, umas das jóias da arquitectura maia declarada Património Cultural da Humanidade e também Património Misto pela sua riqueza natural.
Mais de três mil monumentos, entre pirâmides com escadarias vertiginosas de 50 e 60 metros de altura, palácios e templos cerimoniais estendem-se por um bosque tropical com aves, borboletas, macacos e árvores com mais de 1.200 anos, entre as quais se destaca a ceiba, a preciosa arvore sagrada dos maias, todo um símbolo do país.  
 


LIVINGSTON - Ambiente afro caribenho

Guatemala oferece surpresas naturais como Livingston, a cidade na orla do Caribe no delta do Lago Izabal, cuja nascente natural é Río Dulce. Frente à costa de Belice, a cidade de Livingston, à qual só se pode aceder por barco, permite sermos transportados a outro universo pela sua população garífuna de origem africana.