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Os sentidos da moda

Distinção social e distinção pessoal

A moda está desde sempre ligada à ideia da distinção social, sendo um facto que as classes sociais usam esse mecanismo para se diferenciarem entre elas. Neste sentido, o vestuário possui um carácter distintivo e é neste contexto que ainda hoje se opera a escolha dos trajes a usar numa cerimónia de casamento.
Como muito claramente escreve o filósofo Gilles Lipovetsky em "O Império do Efémero": a moda e seu destino nas sociedades modernas, "as classes inferiores correm a imitar as outras que lhes são superiores, e estas por sua vez partem em busca de algo novo que as diferencie".
Outra noção que surge também comummente ligada ao vestuário é a de que este é revelador de um "eu" interior - "diz-me o que vestes e dir-te-ei quem és". Neste âmbito seríamos todos seres transparentes, sem mistérios, mas parafraseando Umberto Eco, o hábito nem sempre faz o monge.
"Em Citânia: tem mini-saia - é uma rapariga leviana.
Em Milão: tem mini-saia - é uma rapariga moderna.
Em Paris: tem mini-saia - é uma rapariga.
Em Hamburgo, no Eros: tem mini-saia - se calhar é um rapaz."
(Umberto Eco, O Hábito Fala Pelo Monge in Psicologia do Vestir)
Muitas vezes o vestuário esconde e camufla, transformando-se num mecanismo que permite uma certa falsificação do "eu". Permite esconder o que se é e mostrar o que se gostaria de ser. Fabrica-se um ideal, uma imagem para se ser aceite por um grupo social ou ser-se deliberadamente conotado com conceitos precisos - extravagância, irreverência, sensualidade, romantismo, glamour, etc., em resumo, com um determinado status quo. Algo se torna acessível através das roupas; há interesses que orientam o seu uso simbólico.
No campo da moda nupcial, podemos com facilidade observar muitos destes processos. Aqui, o design continua a obedecer a determinados paradigmas estéticos e o sentido da distinção social prevalece, factores que quando conjugados levam a que seja uma área onde existem muitas resistências à inovação. Os vestidos de noiva, concretamente, continuam nos dias de hoje a traduzir um conjunto de hábitos ancestrais, um sistema de valores e a estrutura ideológica de uma sociedade. 

Texto e imagens de Ana Abrunhosa

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