Entre pedidos inesperados, desafios pessoais e escolhas feitas com o coração, a história de Débora e David é um retrato de amor vivido com intenção e significado.
Foi no ambiente efervescente da Queima das Fitas de Coimbra que tudo começou. Em maio de 2015, entre capas negras e sonhos universitários, uma estudante de Medicina cruzou-se com um futuro engenheiro informático e deu-se o início de uma grande história de amor.
“Um ano depois, exatamente no mesmo dia, ele surpreendeu-me ao ajoelhar-se em pleno palco da Queima, à frente de centenas de pessoas, e pediu-me em namoro.”
Nove anos depois, o pedido de casamento chegou com a mesma dose de surpresa e simbolismo. Sob o pretexto de um evento de lançamento de perfume no Palácio da Anunciada, em Lisboa, a noiva deparou-se com o cenário mais inesperado, num pedido de amor em grande.
“Ao retirarem-me a venda dessa suposta experiência, estava num palco — a relembrar o pedido de namoro — rodeada pela nossa família e amigos, com o David ajoelhado à minha frente, a segurar um anel. Saber que planeou tudo durante meses e escolheu precisamente o nosso mês, maio… Ainda hoje me arrepio a contar esta história. Uma surpresa assim foi a prova de que escolhi mesmo a pessoa certa para ter ao meu lado.”
O planeamento começou, como não poderia deixar de ser, numa escapadinha a Paris — o primeiro destino do casal. Com menos de um ano para organizar tudo ao mínimo detalhe, definiram o objetivo comum: “Entre o encanto e a leveza, comprometemo-nos a criar o equilíbrio perfeito — e foi assim que começámos a desenhar o casamento dos nossos sonhos.”
Mas os meses que se seguiram não foram fáceis. Dividida entre os turnos como médica interna, o trabalho exigente como criadora de conteúdo e a luta pela saúde da mãe, diagnosticada com cancro da mama, a noiva encontrou apoio essencial no futuro marido e na equipa de wedding planning Prometo Amar-te.
“Foi assim que, mesmo em pleno turbilhão, consegui fazer o impossível: conciliar os meus trabalhos, cuidar da minha mãe — que, felizmente, venceu esta luta — e planear o casamento perfeito.”
A escolha do vestido foi outro momento marcante para Débora Monteiro Cortesão. Através de uma amizade inesperada, nascida no casamento de um amigo, a noiva encontrou “o tal”.
“No ano anterior, fui ao casamento de um amigo e só nesse dia conheci a noiva, a Filipa, que sofria de uma condição cardíaca terminal. Enquanto ela descansava, porque o coração assim o exigia, comentei que tinha adorado o vestido dela. Contou-me que era da Milla Nova e que o tinha comprado na Amour Glamour, no Porto. Escusado será dizer que, nesse dia, ficámos amigas. Poucos dias depois do meu pedido de casamento, a Filipa enviou-me uma mensagem a dizer que se tinha lembrado de mim ao ver um vestido — da mesma marca do dela — e enviou a foto daquele que viria a ser o meu vestido. Nesse mesmo dia, falei com a Amour Glamour para o encomendar. Coincidência ou não, o vestido chegou precisamente na véspera da cirurgia ao cancro da minha mãe. Sabíamos que a recuperação seria longa, por isso, ela insistiu para eu ir à prova sem ela. Munida de amigas, lá fui eu. E, com o apoio e a sensibilidade incríveis da equipa da Amour Glamour, foi amor à primeira prova. Entre o choro de alegria por ter encontrado “o tal” e a tristeza por não ter a minha mãe ali comigo, saí da loja com a sensação de que, no final, tudo ia dar certo.”
O cenário escolhido foi o Palácio da Borralha, em Águeda. “Desde o momento em que entrei por aqueles portões e vi a fachada esculpida e os jardins a perder de vista, soube que seria ali que iríamos escrever o nosso final feliz.” A celebração fugiu a todos os padrões. Inspirados pelas feiras populares de verão, os noivos criaram um ambiente festivo com bancas de churros, gelados e tiro ao alvo. Um carrossel ao estilo parisiense foi instalado no jardim, evocando a memória de uma fotografia tirada junto ao Carrousel de la Tour Eiffel.
Mas os momentos surpreendentes não se esgotaram na decoração. Em vez de meninos das alianças, estas foram escondidas sob bancos da igreja, e coube aos convidados encontrá-las, numa “verdadeira caça ao tesouro”. Já o bolo de
casamento foi decorado por todos: “Sejamos sinceros — quase ninguém se lembra do bolo dos noivos. Esta foi a nossa forma de o tornar inesquecível.”
Apesar da grandiosidade da festa, o momento mais marcante da cerimónia, segundo a noiva, aconteceu na sobriedade da igreja. “Quando abriram as portas da Sé Velha de Coimbra para eu entrar, a luz que entrou comigo iluminou o caminho até ao David.” Naquele instante, a música desapareceu, a multidão silenciou-se, e tudo o que restou foi a certeza de que estavam, finalmente, exatamente onde sempre pertenceram.


