Entrevista com Stéphane Rolland — Figura incontornável da alta-costura francesa, Stéphane Rolland é sinónimo de uma elegância escultórica, gráfica e profundamente feminina.
Antigo diretor artístico de casas históricas como a Balenciaga e a Jean-Louis Scherrer Haute Couture, o designer construiu um universo próprio onde a pureza das linhas, a força da silhueta e a emoção do espetáculo coexistem em perfeito equilíbrio.
A história por trás do artista.
Nesta entrevista, Stéphane Rolland revisita o início do seu percurso, reflete sobre o verdadeiro significado de “couture” hoje e revela o que mais o fascina na criação de vestidos de noiva. Ao olhar para trás, o designer identifica um momento-chave no seu percurso: “Acho que comecei verdadeiramente a afirmar-me como designer quando me tornei Diretor Artístico da Jean-Louis Scherrer Haute Couture, em 1997. Foi aí que a imprensa internacional começou a olhar para mim de outra forma.”
Ainda assim, confessa que, a nível pessoal, tudo começou mais cedo, quando, com apenas 21 anos, assumiu a direção artística da linha masculina da Balenciaga.
Essa passagem pela Balenciaga foi, aliás, uma verdadeira escola. Num período de reconstrução da maison, Stéphane Rolland teve a oportunidade de trabalhar em múltiplas frentes, do ready-to-wear aos acessórios, passando até pelo desenho de uniformes. Foi aí que aprendeu uma das lições que ainda hoje orientam o seu trabalho, a importância do diálogo com o cliente.
“Ao reunir-me com líderes de empresas e compreender as suas necessidades, percebi como é essencial escutar. Hoje, faço isso todos os dias ao receber pessoalmente cada cliente. É assim que sei o que as mulheres esperam”, explica.
Os desafios
Quando questionado sobre os desafios criativos, o artista é direto: cada coleção é, por definição, a mais difícil. “Sinto sempre que a última é a mais exigente. Cada estação é um novo teste.” No entanto, há um fio condutor que atravessa todo o seu trabalho: o equilíbrio entre inovação e intemporalidade. Para isso, Stéphane Rolland aposta na depuração máxima da silhueta, afirmando que “nunca complico a forma. Trabalho sempre a pureza, o desenho e as linhas gráficas. Mesmo na sua simplicidade complexa, a silhueta permanece intemporal.”
Essa visão estende-se também à sua definição de alta-costura, pois, para o designer, o conceito evolui com o tempo. “Hoje, volumes extravagantes podem conferir uma aura couture. Há trinta anos, bastava a simplicidade aliada à perfeição técnica.” Ainda assim, há um princípio que nunca abdica de respeitar: “Nunca disfarçar a mulher.”
No universo bridal
É aqui que Stéphane Rolland encontra uma das dimensões mais emocionais do seu trabalho. Criar um vestido de noiva é, para si, um exercício de escuta profunda e cumplicidade. “É o vestido de uma vida, e tem de refletir totalmente a personalidade da mulher que o vai usar”, comenta. O processo criativo só começa depois de observar, ouvir e compreender. “Um vestido de noiva nunca é criado sozinho; é uma colaboração a quatro mãos entre a noiva e eu.”
As suas noivas refletem força, modernidade e serenidade, qualidades que o designer traduz em silhuetas depuradas, movimentos tridimensionais e tecidos nobres. “O gesto é mais calmo, a silhueta mais suave, mas parto sempre de uma base simples com movimento.” Não é por acaso que os seus vestidos de crepe branco com folhos escultóricos em organza se tornaram verdadeiros ícones.
Por fim, ao falar da sua presença na Barcelona Bridal Night, no evento Barcelona Bridal Fashion Week, Stéphane Rolland destaca o carácter simbólico do momento, referindo que “é uma honra celebrar o décimo aniversário da maior feira internacional de bridal (…) quero apenas fazer mulheres — e homens — sonhar, e criar um momento suspenso, onde possamos esquecer a realidade da vida.”
Entre rigor e poesia, estrutura e emoção, Stéphane Rolland continua a desenhar peças que se revelam autênticas obras de arte e experiências memoráveis. E, no universo dos casamentos, isso faz toda a diferença.


